Trabalhadores da Embraer suspendem greve alegando repressão policial

25 Set 2019
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Funcionários da Embraer afirmaram que sofreram repressão por parte da polícia | Funcionários da Embraer afirmaram que sofreram repressão por parte da polícia | Foto: Reprodução / Facebook / CP

Em nota, PM de São Paulo confirmou prisão de um sindicalista por desobediência e resistência

 

Os trabalhadores da Embraer suspenderam nesta quarta-feira a greve anunciada na última terça. De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos (SindMetal), a paralisação foi interrompida por medo de represálias. "A negociação não avançou em nada, foi suspensa por causa da repressão da Polícia Militar", afirma Weller Gonçalves, presidente da organização.

De acordo com Gonçalves, na manhã de terça trabalhadores e policiais militares se desentenderam na porta da fábrica da empresa e houve uso de gás de pimenta. Ele afirmou que, nesta quarta, uma assembleia foi realizada com os trabalhadores antes do expediente e a categoria havia decidido manter a paralisação. Os trabalhadores recuaram, porém, ao serem abordados pela Polícia Militar. "Os trabalhadores estavam de boa no seu canto, porém o chefe foi lá junto com a Tropa de Choque e chamou a turma pra entrar", afirma o presidente do SindMetal.

"O aparato do Estado na porta da fábrica, a mando da Embraer e da Boeing, foi algo impressionante. Até dirigentes sindicais mais antigos, de 30 e 40 anos, ficaram assustados. Nem na ditadura militar a gente tinha visto uma aparato militar da forma que a gente viu", diz. Segundo Gonçalves, um sindicalista foi preso na porta da empresa na manhã desta quarta.

A Polícia Militar de São Paulo confirmou a prisão em nota enviada ao jornal O Estado de S. Paulo e informou que o motivo foi desobediência e resistência. A ocorrência foi registrada na Delegacia da Polícia Federal de São José dos Campos. A corporação alega que foi acionada por funcionários da empresa que relataram que queriam trabalhar, mas estavam com a entrada impedida por sindicalistas que bloqueavam a portaria.

A PM informou que "realizou contato a fim de mediar essa condição". "Buscando a preservação dos direitos de ambas as partes, iniciou-se a negociação com os manifestantes, porém, não alcançando êxito foi necessária a intervenção policial para preservação da ordem pública", afirmou a PM na nota.

Questionada de forma específica sobre o confronto com a polícia, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que representa a Embraer na negociação sindical, não comentou o assunto e afirmou por meio de nota que "o processo negocial encontra-se em andamento".

Greve da Embraer

Antes da paralisação, os funcionários da Embraer ficaram uma semana em estado de greve. A categoria rejeita a proposta da empresa, que propôs apenas a recomposição inflacionária de 3,28%, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado do período. Os trabalhadores reivindicam, além da recomposição da inflação, ganho real de 3%.

Outro ponto de impasse foi desencadeado pelo acordo comercial entre Embraer e Boeing. Os trabalhadores temem que a empresa brasileira passe a terceirizar a produção de aeronaves, como faz a Boeing. De acordo com a categoria, peças produzidas pelas próprias companhias passam por um maior controle de qualidade. Segundo Weller Gonçalvez, a terceirização de produção pode ocasionar episódios como o do Boeing 737 MAX, que teve a produção suspensa após dois acidentes fatais na Indonésia e na Etiópia.

 

Fonte:CP

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Dadá Alves

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