Homens são condenados pela Maria da Penha por divulgar imagens íntimas de mulheres

Terça, 03 Julho 2018 17:01 Publicado em Policia

Dois casos de exposição de imagens íntimas de mulheres na internet foram enquadrados na Lei Maria da Penha, por se tratar de violência moral. Um morador de Uberlândia, em Minas Gerais, foi condenado a indenizar em R$ 75 mil sua ex-namorada por divulgação de fotos. Já em Cuiabá, no Mato Grosso, a Justiça concedeu medidas protetivas de urgência a uma jovem de 17 anos que teve um vídeo íntimo publicado em um site pornográfico internacional por seu ex-namorado.

De acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), os vazamentos de imagens íntimas têm sido vistos como uma das formas mais recentes e cruéis de violência de gênero, praticada contra meninas e mulheres. No Brasil, os casos, em geral, tramitam nas varas especializadas de violência doméstica, mas não há levantamento que permitam chegar ao número de ocorrências.

“Esse é um crime novo e que vulnerabiliza a mulher. Muitas acabam sequer denunciando o autor. O que é uma pena, já que é preciso ficar claro para a sociedade que ela não tem culpa alguma daquilo. É um crime típico de uma sociedade machista”, diz o superintendente da Escola Judicial do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, desembargador Wagner Wilson Ferreira, relator de um desses processos ocorridos em Minas.

Ferreira explica que a forma de reparação de um dano moral é uma questão complexa, uma vez que atinge todos os níveis de relacionamento da mulher, como a família, o ciclo social e as relações de trabalho. “É um crime praticamente irreparável, mas, como precisamos transformar a pena em indenização pecuniária, o valor não deveria ser irrisório. Claro que é preciso respeitar o nível de renda de cada um, mas precisa ter um impacto pedagógico”, diz o magistrado, que em um caso de disseminação indevida de material digital íntimo, conseguiu evitar que a indenização fosse arbitrada em apenas R$ 5 mil.

ONG Marias da Internet

A jornalista Rose Leonel, 47 anos, teve sua vida virada do avesso quando, há 12 anos, foi vítima da chamada pornografia de revanche por um ex-namorado, em Maringá (PR). Além de perder o emprego, ela se sentiu obrigada a mandar seu filho morar com o pai no exterior, para que o menino, na época com 12 anos, não sofresse toda ordem de humilhações e traumas.

Rose transformou a dor em luta. Fundou, em 2013, a ONG Marias da Internet, voltada para o acolhimento e a orientação de mulheres que passam pela mesma situação. No primeiro ano de funcionamento, a ONG realizou, em média, três atendimentos mensais. Atualmente, chega a atender nove casos por mês.

Fonte: CP

Última modificação em Quinta, 05 Julho 2018 19:15