Reunião técnica aponta melancia como fonte de renda em Santa Maria

Quinta, 11 Janeiro 2018 19:18 Publicado em regionais

Janeiro é época de comprar melancias baratas e saborosas. Mas não é apenas nas feiras e nos supermercados que elas se destacam. No meio rural de Santa Maria, é tempo de colheita da fruta, degustação, avaliação dos resultados e planejamento dos próximos plantios. Justamente por isso é que a Emater/RS-Ascar realizou, na última quarta-feira (10/01), uma reunião técnica sobre a melancia como fonte de renda, custos e receitas, na propriedade de Antônio Sérgio e Elaine Bianchi, produtores desta cultura no Distrito de Arroio do Só.

Com um público de 35 pessoas, a reunião apresentou o manejo da cultura de melancia e os bons resultados da propriedade visitada, procurando incentivar o plantio por parte de novos agricultores interessados.

As extensionistas sociais do Escritório Municipal da Emater/RS-Ascar de Santa Maria, Ana Paula Velasquez de Medeiros e Maria Antonieta Venturini Martinez, apresentaram as propriedades nutricionais da melancia e os benefícios para a saúde humana através da função diurética, da importância para a pressão arterial, para o bom funcionamento dos rins e do coração, entre outras vantagens citadas.

Já os extensionistas rurais Carlos Moro, Guilherme Godoy dos Santos e Marciano Loureiro, também do Escritório Municipal da Emater/RS-Ascar de Santa Maria, relataram as técnicas empreendidas no cultivo da melancia, entre elas as etapas necessárias para a obtenção de uma boa lavoura: conhecimento da área, análise e preparo do solo, plantio, tratos culturais e colheita dos frutos. As práticas de adubação também foram ressaltadas, as quais devem ser feitas, se possível, sempre após a chuva e em quatro períodos: no plantio e após 30, 45 e 60 dias.

Além disso, a estagiária Camila Freitas Santini, estudante de Engenharia Florestal, apresentou os cálculos realizados pela Emater/RS-Ascar juntamente com os produtores a respeito dos custos da lavoura de melancia e dos lucros obtidos na produção de Antônio e Elaine: em quatro meses de trabalho, as despesas foram de R$ 1,3 mil, com uma receita de R$ 15,3 mil e lucro de R$ 14 mil.

Outro assunto muito frisado durante a reunião foi a aplicação de fungicidas orgânicos, utilizados na lavoura por orientação da Emater/RS-Ascar. “Fizemos aplicação apenas de produtos orgânicos na plantação, principalmente da calda bordalesa, de fácil preparo e baixo custo financeiro, e o principal é que a gente trabalha e não se envenena”, assegurou a produtora Elaine Bianchi.

Resultados
Na propriedade da família Bianchi, em uma área de 0,36 hectare, já foi possível colher aproximadamente 1,3 mil melancias, direcionadas aos mercados de comercialização na Região Central do Estado.

Antônio Sérgio Bianchi trabalha com o plantio de melancia há mais de 30 anos, mas este foi o primeiro no qual solicitou auxílio técnico da Emater/RS-Ascar. “Eu vi a vantagem da ajuda da Emater porque a planta se desenvolveu mais adubada, mais verdinha, se conservou mais, porque tem época que ela não se conserva e que dá peste”, avaliou o produtor.

“Nós viemos com orientações técnicas, com o conhecimento que a Emater transmite, e a família acolheu muito bem”, expressou o extensionista Marciano Loureiro. “Os técnicos auxiliaram em todas as etapas de produção, desde a coleta de amostra de solos, análise de solos, acompanhamento do plantio, os tratos e a adubação”, completou o técnico.

Melancia em Santa Maria
O extensionista Guilherme Godoy dos Santos afirma que há em torno de 60 hectares utilizados anualmente para o cultivo de melancia no município de Santa Maria. Ele aponta que “praticamente 100% desta produção é realizada pela agricultura familiar, por isso, ela é uma excelente fonte de renda para o agricultor, que em uma área pequena consegue obter R$ 14 ou R$ 15 mil de lucro tranquilamente. É uma grande oportunidade, porque num pequeno espaço de área é possível produzir uma cultura com uma lucratividade significante”.

De acordo com Godoy, em Santa Maria a cultura da melancia se dá em propriedades baseadas na diversidade produtiva. “Por ser, geralmente, uma cultura secundária, pode representar a garantia de renda às famílias agrícolas em momentos de dificuldades na produção na propriedade”, aponta o técnico da Emater/RS-Ascar.