Após declarações de "revelações divinas", Polícia Civil mantém investigação sobre morte de crianças

Segunda, 08 Janeiro 2018 22:05 Publicado em Estadual

A cúpula da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, em reunião na tarde desta segunda-feira, decidiu manter, por hora, inalteradas as investigações sobre a morte de duas crianças encontradas esquartejadas. A reunião surgiu após o delegado Moacir Fermino, que coordena interinamente a Delegacia de Polícia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DPHPP), ambas de Novo Hamburgo, ter dito, em entrevista coletiva, que foi uma "revelação divina" que o levou até os suspeitos e a detalhes sobre o crime. Segundo Moacir, os irmãos foram mortos durante um ritual macabro.

Fábio Motta Lopes, diretor do Departamento de Polícia Metropolitana, disse que o delegado Moacir assumiu a investigação enquanto o delegado Rogério Baggio estava em férias. "Quando Rogério retornar, assumirá o caso", frisou. 

Sobre as declarações do delegado Moacir, Fábio disse que foi avaliado se a crença do policial atrapalhou ou não a investigação. "As informações obtidas por ele (Moacir) foram confirmadas". 

“Foi uma revelação de dois profetas de Deus. Quando eu cheguei na delegacia, um deles me ligou, dizendo que tinha informações e que era para eu pegar um caderno para anotar. Foi uma revelação divina”, destacou o delegado. Fermino disse ainda que não podia revelar quem eram os profetas.

De acordo com o delegado, as crianças foram mortas no templo que fica no bairro Morungava, em Gravataí. Ele acredita ainda que durante o ritual, os participantes teriam tomado sangue das crianças - um menino, entre 8 e 10 anos, e uma menina, entre 10 e 12 – que ainda não foram identificados e as cabeças deles não foram localizadas. "Estão enterradas em Lomba Grande”, garantiu o delegado, explicando que as partes dos corpos precisam ser abandonadas em local próximo ao templo.

Ainda segundo Moacir Fermino, o sacrifício das duas crianças, ocorreu com os investigados ajoelhados em um círculo, cujo ambiente estava iluminado apenas por velas. “Os sete discípulos de Satanás formaram o número do ritual”, observou. Uma testemunha, que chegou a visualizar parte do ritual, relatou que viu a menina no chão, desfalecida ou morta, enquanto o menino estava amarrado em um cavalete. Um dos capuzes usados por uma das vítimas foi encontrado e recolhido nas diligências.

“O bruxo falava uma língua estranha que acreditamos que será aramaico”, destacou o delegado, acrescentando que o menino foi fortemente embriagado antes da morte. Já a menina teria tentado se defender antes de ser executada com facadas. “Ela esboçou uma reação de defesa. Os dois foram mortos poucos minutos depois um do outro”, revelou. “O bruxo e os envolvidos alegam que não se conhecem, mas temos provas”, garantiu.

A assessoria do delegado Emerson Wendt, chefe da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, informou que o titular Rogério Baggio está retornando de férias e irá reassumir a investigação. Além de Wendt, Rosalino Seara, delegado regional e Fábio Motta Lopes, diretor do Departamento de Polícia Metropolitana participaram do encontro.

Fonte: Correio do Povo

Última modificação em Segunda, 08 Janeiro 2018 22:07