Promotoria de Munique pede prisão perpétua para sobrevivente de grupo neonazista

Terça, 12 Setembro 2017 10:58 Publicado em Internacional

Beate Zschaepe é suspeita de participar de 10 assassinatos racistas e dois atentados com explosivos contra comunidades estrangeiras

 

A Promotoria de Munique solicitou nesta terça-feira uma pena de prisão perpétua para Beate Zschaepe, a única sobrevivente de um pequeno grupo neonazista acusado de crimes racistas, em um caso que provocou grande comoção na Alemanha. Este é um dos maiores julgamentos na Alemanha do pós-guerra.

 

A Promotoria descartou a possibilidade de que a acusada, que nega a participação nos crimes, possa ser beneficiada por uma pena mais clemente. Zschaepe, de 42 anos, começou a ser julgada em maio de 2013 por suposta participação em 10 assassinatos racistas e dois atentados com explosivos contra comunidades estrangeiras entre os anos de 2000 e 2007. Também foi acusada de participação, no mesmo período, em 15 assaltos executados pelo pequeno grupo chamado Clandestinidade Nacional Socialista (NSU). Os outros dois integrantes do NSU eram Uwe Mundlos e Uwe Boehnhardt.

 

 

Em 2011, os dois homens foram encontrados mortos a tiros, no momento em que a polícia estava prestes a prender a dupla. As autoridades acreditam que eles cometeram suicídio ou que um deles matou o cúmplice, antes de dar um tiro em si mesmo. Zschaepe passou vários anos escondida com Mundlos e Boehnhardt, que assassinaram oito pessoas de origem turca, um migrante grego e uma policial alemã.

 

 

O caso gerou uma forte comoção na Alemanha, já que o pequeno grupo conseguiu permanecer ativo de forma impune durante anos, o que revelou as falhas dos serviços internos de inteligência. Em setembro 2016, Beate Zschaepe rompeu o silêncio após mais de três anos de julgamento e disse que "não tinha mais simpatia pela ideologia nacional-socialista". "Eu não julgo mais as pessoas em função de suas opiniões ou origens, e sim de acordo com suas ações", disse.

 

Fonte:CP