Quatro décadas de Star Wars

Segunda, 22 Maio 2017 12:44 Publicado em Cinema Lido 373 vezes
Conselho Jedi RS conta com mais de 1,8 mil pessoas | Conselho Jedi RS conta com mais de 1,8 mil pessoas | Foto: Fabiano do Amaral

Uma das sagas mais famosas do cinema completa 40 anos no próximo dia 25 de maio

 

Em 1980, César Haggstrom tinha 8 anos de idade e nunca havia ido ao cinema. Então, pelas mãos do pai, foi levado para assistir a “O Império Contra-Ataca”. Ao final dos 124 minutos de projeção, estava extasiado, tanto pela primeira experiência com uma tela tão grande, como com aquilo que havia visto. Mal botou os pés para fora da sala e pediu para repetir a dose. O pai sorriu e topou a empreitada. Deram meia volta e assistiram à sessão seguinte. Assim nasceu a conexão de Haggstrom com uma das sagas mais famosas da cultura pop, que na próxima quinta-feira, dia 25, comemora 40 anos.

 

Pode parecer natural hoje, mas em 1977, quando George Lucas lançou “Star Wars” — que por muito tempo no Brasil foi chamado de “Guerra nas Estrelas” mesmo —, uma aventura espacial não estaria entre as mais cotadas para se tornar um fenômeno. Dali em diante, no entanto, tudo mudou. A história de Luke Skywalker, da Princesa Leia, de Darth Vader e outros inúmeros personagens foi sendo adotada por mais e mais fãs e quatro décadas depois, está incoportada na cultura de tal forma que é citada a todo momento, reconhecida por todos os cantos e, mais do que tudo, lucra como poucas outras franquias no planeta.

 

 

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Grande parte do sucesso de “Star Wars” se deve à dedicação dos fãs, ávidos por tudo relacionado à saga. No Estado, o Conselho Jedi RS é um bom exemplo. O grupo foi criado em 2002 por menos de dez pessoas. Hoje, conta com cerca de 1,8 mil fãs cadastrados, a página no Facebook é acompanhada por mais de 11 mil seguidores e, anualmente, organiza a JediCon, encontro que, apenas na edição de 2016, teve a participação de mais de 4 mil pessoas em apenas dois dias, na Casa de Cultura Mário Quintana, na Capital.

 

Haggstrom é um dos fundadores do Conselho e logo se entende o porquê. Em casa, entre gibis, filmes e bonecos, soma centenas de colecionáveis ligados aos filmes. Esse ano, acompanhado pela esposa Édina Farias — que é tão fã quanto ele — foi pela terceira vez à Star Wars Celebration, em Orlando, nos EUA, um evento que reúne fãs do mundo inteiro para painéis com os atores, entre outras atrações. Foi numa dessas edições que o casal conseguiu uma fotografia com Carrie Fisher, a Princesa Leia em pessoa (foto ao lado), falecida no ano passado. Ao lado de uma figura desta magnitude, a idade é o de menos. “Star Wars sempre foi para criança. A questão é que essas crianças cresceram e continuaram a cultuar a saga. Mas foi e continua sendo para criança”, afirma Haggstrom.

 

Fabiano Bonfiglio é outro que esteve presente desde o início do Conselho Jedi RS e leva a paixão por esse universo no corpo. Neste caso literalmente, tantas são as tatuagens que fazem referências aos personagens. “Não tem um dia que eu não pense em ‘Star Wars’”, revela ele, que se considera um fã xiita, daqueles que acha uma heresia suprema confundir “Star Wars” com “tar Trek” e que não passa mais de dois anos sem rever a trilogia clássica. Por essas e por outras que, em 2002, o grupo fez de tudo e mais um pouco até que conseguiu uma cópia de “O Ataque dos Clones” e pôde assistir ao filmes antes mesmo de sua estreia oficial.

 

Se uns levam a saga na pele, outros carregam no nome. Leia Gauto tem 4 anos, mas desde que o casal Bruno e Priscila Gauto soube que estava esperando um bebê, a escolha em referência à heroína de George Lucas surgiu como natural. “Nunca cogitei outro nome”, diz Bruno. “Acharia estranho se fosse algum nome bizarro da história. Mas não, é culturalmente bem aceito”, completa Priscila. Cinco minutos na presença de Leia bastam para perceber que a menina sente-se à vontade com a situação, a ponto de agregar seus outros ídolos no nome. “Oi, eu sou a Princesa Leia, Bailarina, Sereia e Rápida como o Batman”, se apresenta. Leia, no entanto, não foi a primeira homenageada na família, uma vez que o cachorro de 6 anos se chama Chewbacca, em homenagem a outro personagem clássico. Já a irmã mais nova, Sarah, de apenas 1 ano, é uma referência à também heroína Sarah Connor, da série “O Exterminador do Futuro”.

 

A paixão de pai para filho, no caso filha, também se deu na família de Floriano Júnior. Vestido de jedi, ele foi a um evento organizado pelo Conselho Jedi RS no dia 4 de maio — que, aliás, é comemorado pelos fãs todo ano e faz menção a um trocadilho em inglês com uma das frases mais famosas da saga, “Que a Força esteja com você”, com a data —acompanhado da filha Vivian. Aos 5 anos, a menina já viu a maioria dos filmes e sabe citar o nome mesmo de personagens mais obscuros. Nada surpreendente, dada a predileção pelo pai, que se encantou por “Star Wars” desde que enfrentou uma longa fila para assistir a “O Retorno de Jedi” em uma cinema de São Borja, em 1983.

 

Com a indicação por parte da Disney de que os planos são de lançar pelo menos um filme ligado a Star Wars por ano, nada indica que a paixão dos fãs vá diminuir em um futuro próximo, muito pelo contrário. Afora todo o marketing envolvido, há outro aspecto cultural facilitador neste caso. Ao contrário de anos atrás, hoje em dia os nerds e geeks se assumem como tal e se orgulham disso. “Algumas pessoas acham que é coisa de criança. Mas são essas mesmas pessoas que depois vêm tirar foto com a gente, com roupa, sabre de luz e tudo mais”, aponta Cristion Pacheco, 26 anos. Definitivamente, a Força só aumenta.

 

Bilheteria passa de 7 bilhões de dólares

 

Se contados apenas os nove filmes produzidos para o cinema, a saga Star Wars já arrecadou impressionantes 7 bilhões de dólares ao redor do mundo, ficando atrás apenas do universo Marvel (mas que conta com 15 produções) e da série Harry Potter, também com nove. Coloque junto a venda de bonecos, livros, histórias em quadrinhos, desenhos animados, jogos e por aí vai e se tem uma ideia do quanto movimenta a roda que começou a ser girada por George Lucas em 1977. Por tudo isso, surge como natural a ideia da Disney em lançar em 2019 um parque temático na Flórida, nos mesmos moldes da Disneilândia. As obras estão em andamento desde 2016 e, ao que tudo indica, será só o trabalho de abrir os portões e esperar o dinheiro chegar aos borbotões.

 

O lançamento do primeiro “Star Wars”, aliás, foi, ao lado de “Tubarão”, de 1975, um dos responsáveis por mudar os rumos da indústria cinematográfica. Se hoje é natural que os estúdios guardem os seus principais lançamentos comerciais — os chamados blockbusters — para o meio do ano, verão nos Estados Unidos, antes não existia tal prática. Curiosamente, os filmes mais recentes da saga (e isso inclui vindouro “Os Últimos Jedi”) foram todos lançados em dezembro, o que não impediu que conseguissem bilheterias astronômicas.

 

O ótimo resultado obtido no ano passado por “Rogue One” sinalizou para a Disney que há interesse por parte do público para histórias paralelas às da chamada saga principal, que envolve os personagens considerados clássicos. Por isso, a tendência é que em breve seja anunciada mais uma produção deste tipo, sem contar o filme centrado no pirata espacial Han Solo, com previsão de estreia para o próximo ano.

 

Atenta a uma fatia importante do mercado, a Disney viu seus lucros aumentarem ainda mais a partir da decisão de colocar mulheres como protagonistas do seus dois lançamentos mais recentes: Rey em “O Despertar da Força”, de 2015, e Jyn Erso em “Rogue One”, do ano passado. De quebra, viu ambas juntarem-se à Princesa Leia de Carrie Fisher e tornarem-se novos ícones para uma geração mais engajada e que tomou as personagens como representantes da força da mulher.

 

Fonte:CP