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BOCA NO TROMBONE

BOCA NO TROMBONE (3)

Domingo, 11 Maio 2014 20:36

Mãe preocupada

Escrito por

- Meu filho, faz oito dias que você não fala comigo.

- Coincidência, mãe, hoje faz oito dias que a senhora também não fala comigo.

- Pois é, filho, você se tranca nesse quarto com esse computador e não mostra a cara nem para a sua mãe...

- Mãe, “cara” se diz para os bichos. Para as pessoas é “face”

- Eu só queria ver a tua cara, rosto ou face, seja o que for.

- Face não. Tem coisas que a senhora não pode ver. Ok?

- Mas por quê? Você andou brigando e machucando a face?

- Não briguei nem pretendo brigar. Me deixe navegar, por favor!

- Navegar? Meu filho, você está no mundo da lua?

- Da lua, nada, eu estou no mundo moderno.

- Eu entendo, mas na verdade, eu estou muito preocupada com você, meu filho.

- A minha mãe preocupada... Isso não é nenhuma novidade.

- Meu filho, você não come, não bebe, não sai do quarto e não larga mais esse computador..

- Calma, mãe. Amanhã, definitivamente, eu vou mudar essa minha rotina.

- Que maravilha, meu filho! Era tudo que eu esperava de você. Eu não vejo a hora de você largar o computador e sair desse maldito quarto.

- Não apenas vou largar, como vou trocar essa porcaria, por um novo para navegar melhor a semana que vem.

- Quer dizer que não vai mudar nada?

- Como não? Vou mudar do computador velho para o novo; do quarto para a sala e, além disso, vou estar mudando de uma semana para a outra, fazendo aquilo que eu  mais gosto.

- Meu filho, olha bem para a minha cara e me responda: Eu errei com você?

- Sim mãe. De novo a senhora falou “cara” e a moda agora é “face”. Facebook, mãe.

             

F U I !

 

Escrito por Professor Emílio Ebling Dias

 

Domingo, 04 Maio 2014 17:14

O Parlamentar e os alunos

Escrito por

Meio dia em ponto, sol ardente, os alunos saem da escola e caminham na direção bairro/centro, quando se deparam com um cidadão à beira da rua, movimentando os braços para cima e para baixo, tirando e colocando o chapéu, sorrindo e discursando em voz baixa.

      A maioria dos estudantes passou direto, porém um casal de alunos resolveu bater um papinho com o ilustre:

- Oi, tio!

- Olá, patroinho, patroinha! Buenas, chê! Kkkk

- O que o senhor tá fazendo aqui essa hora, tio?

- Espere. Venha cá que o tio vai te dá um caramelozinho. Pode enfiar a mão aqui no borço da minha bombacha. Pega aí, que é o úrtimo.

- Bá, tio, tá todo derretido. Não vou querer, obrigado!  Mas o senhor não me respondeu o que está fazendo aqui nessa ponte seca.

- Tô trabaiando, patrão. Eu sou desses parlamentar que trabaia. Hoje eu tô numa rua, amanhã noutra. Já ando com os braço delorido de tanto trabaiá.

- Mas qual a principal função de um parlamentar, tio?

- Primeiramente, ajudar os colega da grande Casa do Povo do nosso abençoado São Pedro véio de guerra, tchê.

- O senhor falou que ajuda os seus colegas, mas o que eles fazem, tio?

- Nada, patrãozinho, nada...

- Mas, tio, o senhor viu alguma rachadura nessa ponte, algum buraco?

- Rachadura eu não vi, mas buraco tem um bem grande onde o trem cruzava no meu tempo de piá. Ôla marvada saudade daquele tempo!

- E tem algum risco para a população, ou não?

- Ah, risco é o que não farta. É risco de tinta, de caneta, de giz, de carvão, de ponta de faca... coisa por demais!

- Tá bom, tio. Estamos indo embora. Fique com Deus.

- Amém!

F U I !!

Domingo, 04 Maio 2014 17:00

Quando eu morri

Escrito por

 

Pode parecer uma ironia do destino, mas foi no dia em que morri que eu cheguei ao auge da minha existência. Naquele dia eu pude sentir a intensidade da afeição e do carinho que as pessoas sentem por mim.

No dia em que eu morri, fiquei impressionado com tantas pessoas vindo ao meu encontro. Muitos traziam flores, rezavam e até choravam por mim. Mas o que mais me chamou atenção no dia em que eu morri, foram os comentários que faziam a meu respeito. Muito bacana!

Alguns políticos que rodeavam o meu pobre corpo que estava deitado eternamente em berço esplêndido, cochichavam entre eles ao pé do ouvido sobre a minha pessoa. Eram tantos elogios que eu tive vontade de me levantar do caixão e fazer um discurso em agradecimento.

Algumas frases ditas por eles eu ainda lembro: “Perdemos uma pessoa maravilhosa”; “Sempre o admirei pela sua honestidade” “Um exemplo de pai de família”; “Não era do meu partido, mas era meu amigo”.  

Não houve nada de diferente quando eu morri, pois até os mortos já se acostumaram com a ideia de que “o ser humano só passa a ser bom depois que morre”. Apesar de estarmos no século vinte e um, muitas pessoas ainda não se despojaram do seu orgulho. Arrastam-se sobre a lama da hipocrisia e do egoísmo, sentimentos estes que não permitem reconhecer no outro, em vida, seus méritos e competências.

Mas, para a tristeza de alguns e alegria de muitos, a minha morte durou poucos instantes. Logo acordei e agradeci a Deus por ter morrido apenas num sonho e ter aprendido tanto com a minha suposta morte.

Portanto, se você sonhar que está morto e não se esquecer de acordar, terá pelo menos, dois motivos para agradecer: primeiro por não ser verdade; segundo, pela a oportunidade de descobrir algumas verdades que só são ditas em sonhos ou depois de “batermos com as botas”. Bem, eu vou parar por aqui, pois tem gente querendo que eu durma e não acorde mais.  

       F U I!

Professor Emilio Ebling Dias – São Pedro do Sul